Segunda, 21 de Maio de 2012
   
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26/09/2011 - Crédito farto aos pequenos

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            Um mês depois de o governo federal lançar o Crescer, expectativa é de desburocratização.


Micro e pequenos empresários, empreendedores individuais e trabalhadores informais. Três categorias econômicas com suas particularidades e um ponto em comum, sempre discutido. Você nem precisa entender muito do assunto, mas deve imaginar que o microcrédito é peça-chave no desenvolvimento e crescimento da atividade empreendedora. 

Ontem completou um mês que o governo federal lançou o Crescer - Programa Nacional de Microcrédito Orientado, cujo objetivo é aumentar o acesso da população às linhas de crédito. Com juros bem abaixo do mercado (8% ao ano, contra os 5% ao mês de antes), financiamentos de até R$ 15 mil por operação e extinção das garantias, o plano promete fortalecer o setor e estimular a competitividade. Mas não é só.

O efeito imediato, na avaliação de especialistas, está diretamente ligado aos bancos que oferecem o microcrédito orientado. Pior para os privados, que devem sofrer uma baixa considerável na cartela de clientes para as instituições públicas. Essa ao menos é a conclusão da Federação das Associações de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte em Pernambuco (Femicro-PE).

“Nos bancos públicos a burocracia é maior, mas as taxas de juros são menores. Nos privados, o processo é o inverso e, mesmo com taxas mais elevadas, a agilidade dita o ritmo das concessões de microcrédito. O tomador quer condições favoráveis e o novo programa do governo federal deve causar uma migração de usuários para os bancos públicos”, avalia José Tarcísio da Silva, presidente da Femicro-PE. 

Dos quatro bancos públicos anunciados como parceiros do Crescer, dois devem brigar pelos “fugitivos” dos privados. Banco do Nordeste (BNB), cujo programa Crediamigo serviu de modelo para o novo plano, e Caixa Econômica Federal (CEF) largam na frente, até mesmo pelo histórico do tema no mercado. As outras duas instituições são o Banco do Brasil (BB) e o Banco da Amazônia.

A Caixa informou que inicialmente atuará nas capitais, regiões metropolitanas e demais cidades, expandindo gradualmente as operações para o resto do país. A meta do programa de microcrédito para capital de giro e investimento, aliás, é ousada: atingir resultados semelhantes aos alcançados com o programa habitacional Minha casa, minha vida. O BNB pretende fortalecer as linhas do Crediamigo, principalmente no setor informal, para ultrapassar a marca de 912 mil clientes e R$ 12,2 bilhões (dados de julho) em empréstimos concedidos. Já o BB não se pronunciou.

Demanda aquecida 

Foto_DP

“A população extremamente pobre não quer caridade, quer oportunidade”. A frase, dita recentemente pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, soa manjada, mas para empreendedores formais e informais que utilizam o microcrédito para gerar emprego e renda é motivo de incentivo. Afinal, o brasileiro tem talento, sabe e gosta de empreender.

Para José Tarcísio, o futuro do setor é promissor. “Considerando-se cerca de 5,4 milhões de profissionais nos modelos de empreendedor individual (EI), MPEs inscritas no Super Simples e informais usuários do microcrédito, no Brasil, segundo a Receita Federal, é evidente o aumento da inclusão que o plano vai promover. Bancos com melhores condições terão maior fatia no mercado”, completou.

Das instituições que trabalham neste setor, o Crediamigo, do BNB, parece ser imbatível: já emprestou cerca de R$ 9,5 bilhões e expandiu seu modelo de microcrédito para outras regiões do país. Para Manuel Gusmão, gerente regional do programa no Nordeste, o diferencial está na real necessidade de incremento. “O ideal é detectar as carências da atividade empreendedora, se para capital de giro ou investimento na melhoria do negócio”, explica. Até junho, segundo o BNB, foram investidos R$ 830 milhões em microcrédito em Pernambuco. Os empréstimos são destinados principalmente aos ramos de confecção, alimentação, artesanato e serviços. 

A Caixa é outro gigante no setor. Há duas as linhas básicas de microcrédito do banco, Mandato e Repasse, ambas geridas através de instituições de microfinanças (IMFs) credenciadas - diferentes do BNB, que empresta diretamente ao empreendedor. 

Segundo a CEF, os juros variam de 1% a 3% com prazos de um a 48 meses. No primeiro semestre deste ano, o banco informou ter contratado R$ 7,2 milhões em microcrédito, volume 12% maior que o mesmo período do ano passado, somente em 14 municípios da Região Metropolitana do Recife (RMR). 

Dos bancos privados, o Santander lidera com folga. Em Pernambuco, cerca de 25 mil clientes (80% da cartela) são do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO), com um valor médio de crédito de R$ 1,4 mil, uma forma de fortalecer os pequenos negócios. Itaú e Bradesco informaram que estão revendo a plataforma de crédito no Nordeste e em breve apresentarão novos produtos, mesmo caso do Banco do Brasil. 

Fonte: Diario de Pernambuco 
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